04 Curiosidades sobre a História da proclamação

4 Curiosidades sobre a História da Proclamação da República

Laura Giordani

Laura Giordani

Redatora | Mestre em História e Cultura Visual, pesquisadora e leitora assídua dos mais diversos assuntos. Apaixonada por livros e artigos sobre História, estúdios de mídias e redação. Curiosa, adoro analisar as mídias visuais, a cultura pop e nerd, e como elas se encontram com nosso dia-a-dia e o que podemos aprender com elas.

Nessa sexta-feira, 15 de novembro, iremos comemorar os 130 anos da Proclamação da República do Brasil. Essa data se tornou um feriado a fim de celebra-la como um evento formador do Estado Brasileiro.

Os anos 1880 foram marcados pelo enfraquecimento da monarquia frente às ideias republicanas, visto que a ideia de um país governado por um monarca era considerada antiquada para o período, com o modelo republicano sendo considerado mais moderno e civilizado, com o fim da monarquia sendo algo que eventualmente iria ocorrer, independente da concretização do golpe em 15 de novembro de 1889.

Veja abaixo algumas curiosidades compiladas sobre o 15 de Novembro, em fácil acesso:

1. Houve um atentado contra a vida de D. Pedro II antes da proclamação

O planejamento e conspiração da transição da Monarquia para a República ocorreu principalmente por meio de portas fechadas, onde políticos, acadêmicos e militares discutiam modos de espalhar os ideais republicanos, de ganhar cargos públicos e criação de partidos políticos. Porém, houve um momento em que a violência foi utilizada por um indivíduo a fim que a Monarquia se encerrasse.

Em 15 de julho de 1889, D. Pedro II sofreu uma tentativa de assassinato enquanto saía de um concerto no Rio de Janeiro. Adriano Augusto do Valle, um republicano português, se aproximou do Imperador e começou a disparar contra ele enquanto gritava frases de exaltação à república. Nenhum dos tiros atingiu o Imperador e Valle foi preso no dia seguinte. 

O Imperador decidiu abafar o acontecimento a fim de desencorajar novos atentados e evitar o aumento da moral do movimento republicano.

2. A Princesa Isabel era considerada inadequada para se tornar Imperatriz

Segundo alguns historiadores, a Princesa Isabel era vista pela elite brasileira como incapaz de ser a líder do governo brasileiro, desgosto originado da misoginia da época e da impopularidade de seu marido – Gastão de Orléans, o Conde d’Eu –, cuja elite desgostava por ser francês. 

Era dito que o governo da Princesa teria influência estrangeira devido seu marido e que a Igreja Católica teria poder sobre ela devido sua religiosidade. Sua impopularidade cresceu com a assinatura de Lei Áurea (1888), os ex-donos de escravos passaram a dizer que ela era “piedosa demais”, e que não possuía “pulso firme” para governar.

De certa forma, casal estava sendo usado como bodes expiatórios para despopularizar a Monarquia, visto que D. Pedro II ainda possuía a simpatia da elite política e econômica. 

3. Os militares desejavam mais participação na política

O fim da Guerra do Paraguai (1864-1870) fez com que o Exército Brasileiro desenvolvesse uma sensação de pertencimento a uma causa. Essa identidade formada foi a de sua posição de defensores da pátria, e passaram a crer que mereciam um espaço dentro da esfera política do Império. Como os dirigentes do Império eram civis, vários empecilhos foram a ser criados para impedir sua participação na política – como a proibição do voto aos soldados em 1881, e a proibição que membros das forças armadas se manifestassem suas opiniões em jornais de 1883. 

Essas censuras fizeram com que o alto escalão do Exército começasse a simpatizar e se inspirar nas ideias Positivistas do filósofo Augusto Comte e se organizar com os políticos republicanos da época.

4. O proclamador da República era um monarquista

O Marechal Deodoro da Fonseca era amigo pessoal de D. Pedro II e um monarquista, tanto que ele não teve participação direta no planejamento do golpe que levou à deposição do Imperador. Sua participação na conspiração se dava pelos republicanos, que não viam uma maneira democrática de implantar o republicanismo, terem decidido usar a posição do Marechal como herói da Guerra do Paraguai como uma liderança carismática para o golpe.

Deodoro da Fonseca acabou prosseguindo com o plano dos republicanos quando um rumor falso a respeito da sua prisão e do desmanche do Exército por ordem do Visconde de Ouro Preto começou a circular em 14 de novembro de 1889. 

Sua decisão de apoiar a derrubada do governo monárquico ocorreu apenas na manhã seguinte – 15 de novembro de 1889 -, quando o Imperador nomeou Gaspar Silveira Martins, uma grande inimizade do Marechal, como o novo Primeiro-Ministro do Império. No final das contas, a decisão de Fonseca de derrubar o governo que apoiava e seu amigo ocorreu para evitar que seu inimigo assumisse um dos mais importantes cargos do governo.

Essas foram algumas das curiosidades a respeito de eventos que contribuíram para a Proclamação da República. Curioso, né?

Fontes:

«Julho de 1889 – atentado contra D. Pedro II. Tribunal da Relação de Ouro Preto e seu apoio ao Imperador» (PDF). Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Outubro–dezembro de 2007. Consultado em 6 de novembro de 2019.

BARMAN, Roderick J. Princesa Isabel do Brasil: gênero e poder no século XIX. São Paulo: Unesp, 2005. 

CARVALHO, José Murilo de. Formação das Almas. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados. São Paulo: Companhia das Letras, 198

LOPEZ, Luiz Roberto. História do Brasil Imperial. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982.

Schwarcz, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador – D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.


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